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Postagem especial em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres*

Muito do debate sobre o Desenvolvimento Sustentável (Conceito de Desenvolvimento Sustentável) fica concentrado em um discurso vazio, – uma panaceia salvacionista – que visa apenas os aspectos econômicos, ou seja, o que é dito não é revertido em ações que tragam melhorias socioambientais direcionadas à sustentabilidade. Um exemplo: pode-se discutir a utilização dos recursos naturais, sem discutir questões essenciais do ponto de vista social, como o acesso à comida e a reforma agrária. É claro que este tipo de discussão foge ao conceito de sustentabilidade (Lamim-Guedes, 2012).

“Sustentabilidade não é maneira de fazer, é de ser. Se for apenas de fazer, fica algo mecânico, vira uma carga. Quando é algo que integra a trajetória de vida é mais efetivo e possível de concretizar”, afirma Marina Silva.

Na tentativa de destacar a complexidade da sustentabilidade, com as suas diversas facetas, Ignacy Sachs (2002), propõem as oito dimensões da sustentabilidade (leia aqui a descrição de cada dimensão), que devem ser levadas em conta para se ter uma sustentabilidade real, estas são: Social, Cultural, Ecológica, Ambiental, Territorial, Econômica, Política (Nacional) e Política (Internacional).

A inserção das questões sobre os direitos das mulheres referem-se diferentes dimensões, a seguir estas são apresentadas com um sucinto comentário:

Social

– basicamente, igualdade de distribuição de renda;

Diversos estudos confirmam que as mulheres ainda ganham menos que os homens, independente da etnia (Mulheres chegam a receber 65% menos que homens) (Mulheres ainda ganham menos que homens no Brasil e no México).

Cultural

inclui a busca por raízes endógenas de processos de modernização; Processos que busquem mudanças dentro da continuidade cultural e que traduzam em um conjunto de soluções específicas para o local (tanto ecossistema, como cultural).

Por exemplo, o papel da mulher na manutenção de sistemas de tradicionais de produção agrícola e extração de produtos não-florestais na Amazônia:

Os debates sobre a sustentabilidade e os modos de viver harmoniosamente com o meio ambiente, principalmente através do enfoque dado pelo ecofeminismo, levantaram a questão do papel das mulheres tanto nesses processos de desenvolvimento quanto no melhor aproveitamento dos recursos naturais. Sobretudo porque se vêem as práticas cotidianas dessas mulheres na perspectiva de uma constante reinvenção de seus conhecimentos acerca desses recursos naturais que se constituem em um saber-fazer que vem, ao longo dos anos, garantindo de certa forma a sobrevivência dos grupos humanos que habitam a Amazônia. (Lazarin, 2002)

E como a mulher tem poder de decisão sobre o aumento populacional, sobre o consumo da residência – é ela que faz as compras e cozinha para a família, na maioria dos casos, suas opiniões são essenciais para propor soluções aos problemas socioambientais.

Territorial

melhoria do  ambiente urbano, eliminação de inclinações urbanas nas alocações do investimento público, etc.

Sobre esta dimensão, é importante dizer que os problemas ambientais não são democráticos, parte disto deve-se à existência da Injustiça Ambiental, que é o mecanismo pelo qual sociedades desiguais, do ponto de vista econômico e social, destinam a maior carga dos danos ambientais do desenvolvimento às populações de baixa renda, grupos étnicos discriminados, populações marginalizadas e vulneráveis, assim como mulheres.

Segundo Taís Santos, coordenadora do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) no Brasil:

“O contingente feminino é bastante expressivo – metade da população mundial e mais da metade da população pobre do mundo. Elas têm todo o direito de opinar e de participar da tomada de decisões. É necessário que haja condições para que as mulheres se apoderem” (Fonte).

Mulheres são mais vulneráveis às mudanças climáticas. O representante do Unfpa no Brasil, Harold Robinson, explicou que as mulheres pagam os preços mais altos em termos da perda de colheita, falta de água e destruição de habitações, uma vez que são maioria da força de trabalho na agricultura, têm menor acesso a trabalho e à renda e apresentam menor mobilidade. “Elas estão mais vulneráveis aos desastres ambientais”, disse (Mulheres sofrem mais com as mudanças climáticas)

Econômica

– desenvolvimento econômico intersetorial equilibrado, com segurança alimentar, capacidade de modernização contínua dos instrumentos de produção, razoável nível de autonomia na pesquisa científica e tecnológica e inserção soberana na economia internacional.

No caso desta dimensão, podem ser destacadas vários desdobramentos relacionados às mulheres. Por exemplo, a autonomia na pesquisa cientifica e tecnológica também deve prever a inserção das mulheres neste meio (Por que há menos mulheres na ciência?).

Dada a importância da mulher na agricultura familiar e, consequentemente, na produção de alimentos, o desenvolvimento da agricultura deve respeitar as pequenas agricultoras, esta é uma medida para assegurar segurança alimentar.

Do ponto de vista do impacto do consumismo e do tamanho populacional sobre o planeta, as mulheres têm papel decisivo, já que elas são geralmente as pessoas que controlam o consumo dentro da família e o crescimento populacional.

Política (Nacional)

– democracia definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos, desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional, em parceria com todos os empreendedores e um nível razoável de coesão social.

Para começar, se citou a palavra democracia, espera-se que as mulheres estejam inseridas, porém as mulheres na política têm sido historicamente sub-representadas nas sociedades ocidentais em comparação com os homens. No entanto, muitas mulheres têm sido eleitas politicamente para serem chefes de Estado e de governo, ou seja, a Participação de mulheres na política vem aumentando nos últimos anos.

As mulheres representam hoje pouco mais da metade dos eleitores brasileiros. Essa divisão, porém, não permanece igualitária na representação política. Estudo da União Interparlamentar, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), colocou o Brasil em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos. Ficamos atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos. “Eu diria que nós usamos burcas invisíveis!”, lamenta a deputada Erika Kokay (PT-DF), integrante da bancada feminina na Câmara (Fonte).

A trajetória feminina na busca pela visibilidade no campo político é o assunto da série especial produzida pela Agência Brasil em homenagem ao Dia Internacional da Mulher:

Mulheres na política: A luta pela visibilidade

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Política (Internacional)

– baseada na eficácia do sistema de prevenção de guerras da ONU, na garantia da paz e na promoção da cooperação internacional, Pacote Norte-Sul de co-desenvolvimento, entre outros aspectos.

Esta dimensão, ao se tratar da cooperação internacional em diversas áreas, pressupõe um esforço coletivo para garantia do respeito às mulheres. Questões apresentadas para as outras dimensões, são relacionadas quando se trata da busca coletiva por parte dos países da sustentabilidade entendida de forma holística.

Duas dimensões, ambiental e ecológica, não foram tratadas aqui, por serem mais relacionadas à proteção dos serviços naturais, com certeza, a questão do gênero pode ser inserida na perspectiva destas dimensões, mas neste texto, optou-se por reforçar a relação com as outras dimensões.

Leia também:

“One Woman”: Uma canção para a ONU Mulheres lançar no Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional das Mulheres

Em 1975, Ano Internacional da Mulher, as Nações Unidas definem o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

Por que tem o Dia Internacional da Mulher?

Nessa data, em 1857, mulheres tecelãs de uma fábrica em Nova Iorque se revoltaram contra as péssimas condições de trabalho. A manifestação foi reprimida e 129 mulheres morreram carbonizadas dentro da fábrica.

A data simboliza a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres.