19 de maio de 2012: Orla da baia de Díli enfeitada por ocasião da posse do Presidente Taur Matan Ruak

Foto: 19 de maio de 2012. Orla da baia de Díli enfeitada por ocasião da posse do Presidente Taur Matan Ruak

(…) A posição geográfica antípoda em que os timorenses estão em relação a nós brasileiros faz com que a maioria de nós ignore a sega deste povo heroico, que se encontra isolado do resto do mundo, graças principalmente à tirania que o ditador Suharto, da Indonésia, impõem a àquela pequenina não e aos próprios indonésios. Os timorenses, ao contrário de nós, reconhecem os laços culturais que nos irmanam, já que, assim como os povos de angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Moçambique somos filhos dos Lusíadas que outrora navegaram por mares nunca dantes navegados e germinam essa macro nação transoceânica, na qual a língua portuguesa é o elo luso dessa neolatinidade miscigenada.

Mas, poderia-se perguntar, só porque falam a nossa língua temos de nos solidarizar com os timorenses? Não só porque falam o português, mas simplesmente porque falam, choram, cantam, pensam, amam e sonham.

Poderia-se ainda objetar com o argumento de que aqui no Brasil já temos problemas sociais de sobra para nos preocuparmos com os alheios. Este argumento tornar-se obsoleto quando se sabe que o movimento brasileiro mais engajado à questão da resistência timorense é o Movimento dos Sem Terra; e dois brasileiros tidos como os mais comprometidos, segundo os timorenses, com sua luta pela autodeterminação são justamente Betinho e D. Paulo Evaristo, pessoas notoriamente preocupadas com as questões nacionais.

Solidarizar-se é preciso…

25 de abril de 1997

23º. Aniversário da Revolução dos Cravos.

Referência. SANT’ANNA, S. L. Introdução: este país quer ser livre. In: SANT’ANNA, S. L. Timor Leste: este país quer ser livre. Martin Claret, 1997b. p. 9-13.