O conceito de WEB 2.0[i] refere-se a “facilidade de publicação online e a facilidade de interação entre os cibernautas”[ii]. “Ela tem sido considerada como a segunda geração de comunidades e serviços, que visa incentivar a criatividade, o compartilhamento e a colaboração de conteúdos e serviços entre os usuários da rede”[iii]. Em torno deste conceito existe uma grande polêmica, uns acusam seus criadores de oportunismo, outros enxergam nele uma nova forma de utilização da web que veio para ficar.

George Gilder, em seu livro Life after television, traz afirmações acerca dos benefícios da tecnologia, além de apostar que a televisão não irá sobreviver, uma vez que não há espaço para competir com a internet. Segundo ele, a informática da comunicação tem um sentido libertador para o indivíduo, vivemos uma nova era, em que não haverá mais lugar para a tirania da comunicação de cima para baixo, uma época, menos padronizada e mais democrática. Para ele, a revolução da microinformática liquidou com o problema da falta de informação[iv].

Com a Web 2.0, a Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em comentar os “posts” fez com que as redes sociais se desenvolvessem online. Postar e comentar passaram a ser duas realidades complementares, que muito têm contribuído para desenvolver o espírito crítico e para aumentar o nível de interação social online. O Hi5, o MySpace, o Linkedin, o Facebook, o Ning, entre outros, facilitam e, de certo modo, estimulam o processo de interação social e de aprendizagem[v].

Como esta apresentado no site de Tim O’Reilly: “Success in the Web 2.0 world depends on a successful user experience”i, portanto é essencial avançarmos na utilização das ferramentas de interação da web 2.0. Uma área que tem muito a desenvolver é o uso educacional, tanto formal como informal, inclusive na educação ambiental.

A web 2.0 facilita a construção do conhecimento de forma interativa, nos moldes da visão sócio-interacionista[vi]. Recentemente, web 2.0 vem consolidando um novo paradigma de ensino pautado na interatividade, no uso crescente dos recursos oferecidos pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e na ideia de que a aprendizagem envolve um processo de participação entre elementos de uma comunidade, visando à construção e à reconstrução do conhecimento.

Na educação formal ou escolar, pode-se inserir ferramentas como blogs ou Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA, como o moodle) para colaborar com as ações educativas, resaltando que a utilização destas ferramentas devem ser auxiliares a prática docente, ou seja, a ferramenta deve ser utilizada de forma a contribuir com a atividade educativa. Por exemplo, pode-se criar um blog para publicar notícias referentes aos assuntos tratados em sala de aula ou favorecer que os alunos debatam algum assunto.

Ações educativas não-escolares são facilmente acessadas por vídeos no youtube ou em blogs. Neste sentido, uma das áreas que usufrui muito disto é a ambiental. Podemos obter informações sobre os problemas socioambientais ou participar de campanhas através da web. Quando se trata de educação ambiental, isto tornar-se essencial.

A Educação Ambiental pode ser entendida como sendo a formação de uma consciência que, sensibilizada com os problemas socioambientais, se volta para a formação de uma sociedade sustentável na qual, a compreensão da interdependência entre os fenômenos sociais e naturais, permite que humanidade e natureza busquem uma forma de vida mais harmônica e compartilhada[vii]. Dentre os objetivos da educação ambiental apresentados em Tbilisi (1977) destaca-se: promover meios de mudanças de atitudes e valores que gerem sentimentos de preocupação com o ambiente e motivem ações que o melhorem e o protejam; desenvolver capacidades que possam ajudar indivíduos e grupos a identificar e resolver problemas ambientais; e ainda, promover o envolvimento ativo dos indivíduos em todos os níveis da proteção ambiental[viii].

A educação ambiental, devidamente entendida, deve ser constituída por uma prática educacional permanente, geral, que reaja às mudanças produzidas em um mundo em rápida evolução[ix]. Neste sentido, o acesso à informação pela internet permite que o indivíduo possa aumentar seu conhecimento sobre os problemas socioambientais, sobretudo, porque estes problemas são variáveis quanto à escala (de locais a globais) e apresentam-se de forma dinâmica no tempo e no espaço.

Aliado a difusão da informação, a Web 2.0 permiti o envolvimento dos indivíduos com a causas ambientais, por exemplo, participando de campanhas vinculadas pela internet. Um exemplo recente foi a campanha #VetaTudoDilma, que pressionou a Presidenta Dilma para vetar o Novo Código Florestal.

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Figura 1: banner da campanha #vetaTudoDilma com o autor Wagner Moura[x]

A importância das redes sociais para o debate sobre os problemas ambientais fica claro nesta mensagem publicado no perfil do Ecodebate[xi] na rede social Facebook.

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Figura 2: mensagem publicado no perfil do Ecodebate na rede social Facebook.

A participação da web 2.0 nas nossas vidas é um caminho sem volta. Portanto, o que temos que fazer é buscar colocá-la como uma aliada para as nossas vidas, não apenas como forma de lazer (por exemplo, no caso das redes sociais), mas também como um meio para facilitar a interação entre as pessoas em diversos contextos, inclusive em ações educativas ou referentes ao meio ambiente.

Notas



[i] Veja a página para maiores detalhes“What Is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software”. Disponível em <http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html>. Acesso em 14/jun/2012.

[ii] Carvalho, 2008, pág 7.

[iii] Costa e Martins, 2012, pág. 2.

[iv] Wikipédia, 2012.

[v] Carvalho, 2008, pág 8.

[vi] Vygotsky, 1998.

[vii] Weid, 1997.

[viii] Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, 1994, p. 28.

[ix] Dias, 2001, p. 105.

[x] Blog Aprender Direito http://aprenderdireito8.blogspot.com.br/2012/05/codigo-florestal-veta-tudo-dilma.html

[xi] Portal Ecodebate: Cidadania e Meio Ambiente: http://www.ecodebate.com.br/

Referências

CARVALHO, A. A. A. Introdução. In: CARVALHO, A. A. A. (org.). Manual de Ferramentas da Web 2.0 para professores. Brasília: Ministério da Educação. 2008. p. 7-14.

COSTA, R. M. E. M.; MARTINS, V. Aula 4a – Ferramentas da Web 2.0 e as Comunidades de Prática. Material didático da disciplina Ambientes Virtuais e Mídias de Comunicação. Curso Planejamento, Implementação e Gestão da EaD. Universidade Federal Fluminense, 2012.

DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia. 2001.

O’REILLY, T. “What Is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software”. Publicado em 30/set/2005. Disponível em <http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html>. Acesso em 14/jun/2012.

SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DE SÃO PAULO. Coordenadoria de Educação Ambiental. Educação Ambiental e desenvolvimento: documentos oficiais, São Paulo; 1994. 62p.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

WANDERLEI, H. Código Florestal – Veta tudo Dilma. Aprender Direito. Disponível em <://aprenderdireito8.blogspot.com.br/2012/05/codigo-florestal-veta-tudo-dilma.html>. Acesso em 14/jun/2012.

WEID, N. V. A formação de professores em educação ambiental à luz da Agenda 21. In: PÁDUA, S. M., TABANEZ, M.F. Orgs. Educação Ambiental: caminhos trilhados no Brasil. Brasília: MMA; 1997. p. 73-87.

WIKIPÉDIA. Web 2.0. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0>. Acesso em 14/jun/2012.

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Uma versão ampliada deste texto foi publicado na revista Educação Ambiental em Ação

WEB 2.0 e a construção do conhecimento de forma interativa: educação e meio ambiente.

Referência: WEB 2.0 e a construção do conhecimento de forma interativa: educação e meio ambiente.. Educação Ambiental em Ação, v. 42, 2012. Disponível em <http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=1390&class=41>.