Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Fundação SOS Mata Atlântica divulgaram os dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2010 a 2011. Os resultados indicam que Minas Gerais e Bahia foram os estados que mais desmataram.

O estudo aponta desflorestamentos verificados de 13.312 hectares, ou 133 km², no período de 2010 a 2011. Destes, 12.822 hectares correspondem a desflorestamentos, 435 a supressão de vegetação de restinga e 56 a supressão de vegetação de mangue.

Da área total do bioma Mata Atlântica, 1.315.460 km2, foram avaliados no levantamento 1.224.751 km2, o que corresponde a cerca de 93%.

Foram analisados os estados do Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo e Bahia.

De acordo com o Inpe, por causa da cobertura de nuvens, que prejudicam a captação de imagens via satélite, foram avaliados parcialmente a Bahia (57%), Minas Gerais (58%) e Espírito Santo (36%).

Nos demais estados do Nordeste que estão dentro dos limites do bioma – Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte – a análise foi impossibilitada devido à ocorrência de nuvens.

De acordo com os autores do levantamento, entre os estados avaliados em situação mais crítica estão Bahia e Minas Gerais, sobretudo nas regiões com matas secas.

Em Minas Gerais, os desflorestamentos continuam ocorrendo na região agora chamada de “triângulo do desmatamento”, onde já foram identificados vários desflorestamentos no período anterior.

Nessa região, as florestas nativas estão sendo transformadas em carvão e substituídas por eucalipto.

No estado mineiro, onde a Mata Atlântica já cobriu 46% de seu território total (27.235.854 hectares de um total de 58.697.565), hoje restam apenas 3.087.045 hectares do bioma original. No período 2010-2011, foram desflorados 6.339 hectares.

A Bahia obteve a segunda posição no ranking com o desflorestamento de 4.686 hectares. Hoje, restam no estado 2.408.648 hectares de Mata Atlântica, o que, originalmente, já correspondeu a 18.875.099 hectares.

Mato Grosso do Sul, Santa Cantarina e Espírito Santo aparecem nas posições seguintes, com desmatamentos de 588, 568 e 364 hectares, respectivamente.

A esses números, somam-se desflorestamentos de 216 hectares em São Paulo, 111 no Rio Grande do Sul, 92 no Rio de Janeiro, 71 no Paraná e 33 hectares em Goiás.

Os estados da região Sul do país e o Rio de Janeiro foram os que registraram quedas mais acentuadas em suas taxas de desmatamento. Na análise do período de 2008-2010, Santa Catarina registrou supressão de vegetação nativa de 3.701 há contra 568 há no levantamento atual.

Por sua vez, o Rio de Janeiro, que já liderou a lista dos maiores devastadores em análises anteriores, registrou nos últimos anos ocorrências muito menores de desflorestamento, sendo o de 2010-2011 equivalente a 92 hectares.

A Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do Brasil. Restam somente 7,9% de remanescentes florestais em fragmentos acima de 100 hectares, representativas para a conservação da biodiversidade. Considerando todos os pequenos fragmentos de floresta natural acima de 3 hectares, o índice chega a 13,32%.

Os dados completos do levantamento podem ser acessados nos endereços: www.sosma.org.br e www.inpe.br.