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[G1] No próximo dia 11, cerca de 200 crianças da Escola de Ensino Básico Dr. Sérgio Vieira de Melo, que fica em Dili, no Timor Leste, que fica em uma ilha no sudeste da Ásia e tem o português como um dos seus idiomas, vão fazer a prova da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) no mesmo dia, que os milhares de estudantes brasileiros inscritos na 15ª edição da competição estudantil de conhecimento. O evento chega pela primeira vez ao Timor pelas mãos da engenheira e professora Tunísia Schuler, uma das 37 pessoas selecionadas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie para dar aulas durante um ano na Universidade Nacional do Timor Leste (UNTL).

Tunísia embarcou para o país asiático no início de 2012 e levou consigo a missão de introduzir a olimpíada nas escolas timorenses. “Através da OBA, as crianças são estimuladas a buscar o conhecimento de forma lúdica. A OBA desperta o interesse dos alunos pelo saber científico e pela tecnologia, além de incentivar jovens cientistas em potencial, dando a eles oportunidade de participação em outros eventos científicos”, afirmou a professora, em entrevista por e-mail ao G1.

O projeto-piloto, feito em parceria com a OBA, teve sua primeira fase na semana passada, com o treinamento de 10 professores da escola, que entre os dias 25 e 27 de abril participaram de palestras e oficinas de três temas. “As professoras brasileiras da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], Graziela Lunardi e Márcia Brandão Aguilar, estão responsáveis pelos temas de astronomia e energia, respectivamente, e eu pela astronáutica.”

Desde a quarta-feira (2) até esta sexta-feira (4), os professores fizeram oficinas com os alunos participantes para treinar e poder reproduzir a experiência nos próximos anos. No sábado (5), os alunos assistiram a um filme e, na próxima quarta-feira (9), participarão de uma mostra de foguetes de papel. No dia 11, às 13h (horário de Dili), os estudantes farão as provas da olimpíada.

Recursos

Segundo Tunísia, várias entidades ajudaram a levantar os recursos para a realização do evento. “A OBA está doando 275 dólares (cerca de R$ 520) para todo o material escolar que será utilizado durante as oficinas. E a embaixada brasileira está nos fornecendo os equipamentos de multimídia (telão, datashow, caixa de som e gerador). Os professores timorenses receberão um material didático cedido pela OBA, pela empresa Acrux e pela Capes”, disse.

Além dos poucos recursos financeiros, Tunísia também se supreendeu pela facilidade em mobilizar crianças e adultos timorenses interessados na olimpíada.

“Fiquei admirada ao ver que 200 alunos do ensino pré-secundário (7º a 9º anos) se inscreveram, o que mostra bastante interesse na participação neste projeto. Os professores também ficaram empolgados, como podemos verificar pela adesão de todos eles que trabalham na área de física e geografia.”

Desde que chegou ao país, a professora afirmou que tem visto um investimento do Timor Leste na educação, tanto no aumento do salário dos professores quando no incentivo ao aprendizado do português. Ela negou, porém, que o governo tenha o objetivo de eliminar o tétum – os dois idiomas são considerados oficiais, mas, segundo ela, o censo timorense mostrou que 90% da população fala tétum e apenas 25% domina o português, “o que é um grande avanço, já que, há dez anos, apenas 5% falavam a língua portuguesa”. Segundo ela, o governo investe no português para diferenciar o país de seus vizinhos, a Indonésia e a Austrália, onde predomina o indonésio e o inglês.

Tunísia espera permanecer no Timor por pelo menos dois anos e, então, voltar ao Brasil para fazer um doutorado. Antes disso, porém, ela já iniciou um plano para garantir a longevidade da olimpíada de astronomia por lá. “Neste primeiro projeto, meus estudantes do primeiro ano de física [na universidade do Timor] participarão dos cursos como ouvintes e darão apoio aos professores timorenses, orientando as crianças durante as oficinas. Pretendo preparar um professor da UNTL e alguns estudantes que possam divulgar a OBA entre outras escolas e dar continuidade neste trabalho.”

Fonte: G1