[ONU Moçambique] Maputo, Novembro 2011 – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou ontem em todo o mundo, o Relatório de Desenvolvimento Humano 2011, sob o lema, “Sustentabilidade e equidade:Um futuro melhor para todos”. Os relatórios anteriores, mostraram que os padrões de vida na maioria dos países, têm estado a elevar-se – e convergem – ao longo de várias décadas. O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2011, projeta uma reversão do progresso caso a deterioração ambiental e as desigualdades sociais continuem a intensificar-se. Caso particular dos países menos desenvolvidos que apresentam um risco da divergência regressiva dos padrões globais de progresso para 2050.

O RDH de 2011 – “Sustentabilidade e Equidade: Um futuro melhor para todos” – defende que, a sustentabilidade ambiental pode ser alcançada de forma razoável e eficaz, através de intervenções na saúde, educação, rendimento pessoal, e disparidades do gênero associadas à necessidade de uma acção global de produção energética e proteção do ecossistema. Enquanto a comunidade internacional se prepara para a Conferência do Quadro das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável em Junho de 2012 no Rio de Janeiro, Brasil, o relatório defende que a sustentabilidade deve ser abordada como um assunto de justiça social básica, para as atuais e futuras gerações.

O RDH 2011, destaca a importância da sustentabilidade e da equidade assim como, a influência desses fatores em futuras realizações no âmbito do desenvolvimento humano. Apesar do significativo progresso, valores do IDH foram conseguidos em várias partes do mundo em particular entre os países abaixo de 25% na classificação do IDH, estando este progresso entretanto, cada vez mais sob ameaça. O RDH 2011, levanta preocupações segundo as quais, o progresso do desenvolvimento nos países mais pobres do mundo, poderia ser interrompido ou mesmo invertido em meio século a menos que, passos decisivos sejam tomados para reduzir as mudanças climáticas, impedir mais danos ao meio ambiente e reduzir as profundas desigualdades dentro e entre as nações.

Os autores prevêem que, o desinteresse à deterioração ambiental – que vão da seca na África Sub-Sahariana ao aumento dos níveis do mar que poderiam inundar países baixos – poderão fazer com que os preços dos alimentos subam até 50% e invirtam os esforços para expandir a água, saneamento e acesso da energia a bilhões de pessoas, principalmente em regiões como, o Sul da Ásia e a África Sub-Sahariana. Usando diferentes cenários, estima-se que, a média do IDH, diminuiria entre 12% a 15% com profundas perdas nas regiões mais pobres. O RDH 2011, defende que, a deterioração ambiental poderia minar décadas dos esforços para expandir a água, o saneamento e o acesso à eletricidade às comunidades mais pobres
do mundo.

A sustentabilidade e a equidade são de um vasto alcance e frequentemente são assuntos complexos. O RDH 2011, examina factores que nem sempre são associados com a sustentabilidade ambiental, incluindo cuidados médicos reprodutivos para ajudar a lutar contra a desigualdade do género e pobreza. A sustentabilidade não é exclusivamente ou mesmo, primariamente uma questão ambiental. Preferencialmente, a sustentabilidade deve ser abordada como uma matéria de justiça social básica para as atuais e futuras gerações. Compreender as ligações entre a sustentabilidade e a equidade ambiental é crucial a fim de expandir as liberdades humanas da atual e futuras gerações. O RDH 2011, defende que, o notável progresso no desenvolvimento humano ao longo das últimas décadas, não pode continuar sem as etapas globais para reduzir quer, os riscos ambientais e desigualdade.

O valor do IDH para Moçambique, aumentou o ano passado de 0.317 para 0.322, seguindo as tendências das duas últimas décadas. Desde 2000 a 2011, o aumento anual médio no valor de IDH para Moçambique registrou um crescimento de 2.49%. Comparado com outros países no período entre 2000 a 2011, o desempenho de Moçambique está entre os 5 do topo no
mundo.

Não obstante o aumento continuado no valor de IDH, Moçambique classifica-se atualmente em 184° lugar, de um total de 187 países do IDH em comparação com 2010, onde o país classificou-se em 165° num total de 169. A mudança na classificação é quase exclusivamente o resultado da inclusão de 18 outros países que em 2010 não foram incluídos sendo na sua maioria, do grupo de desenvolvimento humano médio e, não necessariamente uma reflexão das mudanças no desempenho de Moçambique no IDH.

O IDH, é tradicionalmente consistente em relação aos componentes que somente respondem lentamente às mudanças nas políticas. Significa isto que, as mudanças, incluindo a classificação, ocorrerão somente a longo prazo.

Download Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011. Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos