Vista parcial da Baía de Tíbar, Timor-Leste. Foto de Valdir Lamim-Guedes.

[EcoDebate] Timor-Leste é um país localizado no sudeste asiático, entre a Austrália e Indonésia. Após séculos de dominação portuguesa e 24 anos ocupado pela Indonésia, tornou-se independente em 2002, sendo administrado pela ONU desde 1999. A meta agora é desenvolver o país, tirando milhares de pessoas da miséria, proporcionando saúde, educação e condições para a subsistência.

Buscando atender às necessidades mínimas da população, deparamo-nos com dois desafios: a) conseguir manter solos férteis para a produção agrícola e pastagens; b) manter o fornecimento de lenha, pois grande parte da população ainda utiliza este tipo de combustível para a preparação das refeições diárias.

Estes dois desafios estão interligados pela necessidade da manutenção da qualidade ambiental, ou seja, redução da perda de solo para a manutenção da fertilidade deste e renovação da vegetação para o fornecimento da lenha. Não foi isto que aconteceu nas ultimas décadas. O corte da vegetação, o solo desprotegido e as fortes chuvas – características do clima sazonal timorense – causam muita lixiviação do solo e assoreamento dos rios.

Por esta situação, muitas baías tem se desconfigurado, prejudicando a atividade turística. Exemplo é Tíbar, a cerca de 12 km da capital, Díli. Segundo um morador local, a baía de Tíbar apresentava, há 25 anos, uma praia com areia branca. Atualmente, é ocupada apenas por lama. Apesar da recomposição de algumas encostas, este processo ainda continua.

Neste sentido, deve ser estimulado o uso de técnicas mais ambientalmente sustentáveis, como o plantio direto e a utilização de cobertura morta, para evitar perda de solo. Também a adoção de um manejo das áreas de vegetação, de forma que continuem protegendo o solo e fornecendo lenha para a população.

Outro aspecto que abrange os recursos naturais em Timor-Leste: o uso dos recursos financeiros advindos da exportação de petróleo. Estes recursos devem continuar sendo destinados ao investimento em áreas consideradas estratégicas, como infraestrutura. Além disto, avanços na produção agropecuária devem ser encarados como essenciais para a sustentabilidade ambiental a longo prazo.

Por fim, devem ser encorajadas a utilização de técnicas simples para o aproveitamento da energia solar, como o fogão solar, tecnologia social capaz de cozer alimentos utilizando apenas a energia do Sol. Tal recurso pode prover a substituição, mesmo que parcial, do amplo consumo de lenha atual.

Assim como no Brasil, a adoção de técnicas mais adequadas de uso dos recursos naturais em Timor-Leste não é um assunto apenas de ambientalista ou “ecochato”, mas um tema de importância estratégica, tanto para a produção de alimentos, como para a manutenção de atividades geradoras de renda e emprego, como o turismo.

Valdir Lamim-Guedes, professor convidado na Universidade Nacional de Timor-Leste, Díli, Timor-Leste.

EcoDebate, 18/04/2012