Por Antonio Elizio Pazeto*

[p. 224] Não é demais dizer, inicialmente, que Timor-Leste é um país situado no Sudeste da Ásia, mais especificamente, no Arquipégalo da Indonésia.

Timor-Leste tem uma extensão de 18.900 quilômetros quadrados e, aproximadamente, 925.000 habitantes. Está organizado em 13 Distritos que, por sua vez, compreendem 63 Sucos e 462 Aldeias. Essa organização resulta da estrutura tradicional das comunidades desse país, complementada pelo advento da criação do Estado. Em termos de extensão e de [p. 225] população, sem muita dificuldade, Timor-Leste poderia ser comparado a 13 Municípios brasileiros de porte médio, ou ainda, ao Estado de Sergipe.

As línguas oficiais em Timor-Leste são o Português e o Tétum. São consideradas línguas de trabalho o Indonésio e o Inglês. No entanto, até o presente momento, nenhuma dessas línguas é falada por toda a população. Em decorrência das culturas locais, sobretudo na zona rural onde reside em torno de 70% da população, são conhecidas outras 26 línguas[1], dialetos e subdialetos, segundo levantamento do Instituto de Linguística na Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UN, 2003).

Ainda que, sucintamente, é necessário situar Timor-Leste no cenário político internacional, como uma das últimas das colônias situadas no mundo oriental que lutou por sua por sua emancipação e, após um dos mais longos processos de colonização, vaio constituir no 191º Estado membro da Organização das Nações Unidas.

 Esse país esteve sob domínio português desde 1514. Em 1975, beneficiando-se de mudanças decorrentes da queda do regime militar salarzista em Portugual, Timor-Leste declarou independência. Por temer que o movimento pela emancipação tivesse orientação marxista, no mesmo ano, foi invadido e anexado à Indonésia[2] (Cunha, 2001). Em 2001, Timor-Leste restaurou a sua independência por meio de referendo popular, sob o amparo das Nações Unidas[3]. Hoje, convive pacificamente com a invasora, com quem divide a Ilha de Timor.

A instalação da mais nova nação do século XXI – República Democrática de Timor-Leste, deu-se em 20 de maio de 2002, sob o regime da nova Constituição e posse do primeiro Governo eleito democraticamente – Presidente Kay Rala Xanana Gusmão. O período compreendido entre 1999 até a instalação no novo Governo, foi acompanhado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas por meio da United Nations Transitional Administration in East Timor – UNTAET[4], uma Missão de administração de transição entre o domínio indonésio e o Estado independente que, após a instalação do novo Governo, foi transformada em United Nations Mission of Support in East Timor – UNMISET, missão de suporte a Timor-Leste, ambas com o apoio do Conselho de Segurança da ONU, denominada de Peace Keeping Force – PKP, [p. 226] cuja finalidade primordial era constituir-se em Força de Manutenção de Paz. Era Missão encerrou sua tarefa em 20 de maio de 2005, tendo o conselho de Segurança decidido continuar, no presente momento, a dar sustentação a ações em áreas estratégicas e mais carentes de capacitação institucional, por meio de um Escritório da ONU no país, voltado para o desenvolvimento institucional, denominado United Nations Office in East Timor – UNOTIL.

Os fatos mencionados, por si só têm um grande significado, embora em escala distinta, não diferem de outros países que tiveram destinos semelhantes nos últimos séculos, entre eles o Brasil. Sem que se faça, no entanto, uma análise histórico-cultural sobre o que representaram os períodos de domínio da parte oriental da Ilha de Timor – hoje Timor-Leste, não se terá condições de compreender os processos de formação desse novo Estado e os desafios relacionados às ações de governo, particularmente, em função das limitações na formação de quadros humanos e de insuficiência de recursos (Cunha, 2001). Se, de uma parte, o longo período de colonização portuguesa e a religião católica foram formadoras de uma determinada cultura, mesmo assim, sob a orientação dos paradigmas do colonizador.

Na condição de colônia ultramarina, Timor-Leste mantivera-se isolada e alheia de todas as possibilidades de desenvolvimento, que pela condição da ilha, quer pelas limitadas perspectivas de retorno econômico e político por parte do Estado Português. Para se ter uma ideia do desinteresse de Portugal, no período de colonização portuguesa foi construída uma única escola pública.

Diferentemente do processo de colonização portuguesa, o curto período de domínio indonésio promoveu alguns investimentos em infraestrutura e em educação com o intuito de desestruturar as identidades e valores locais ocidentalizados e construídos ao longo de sua história, e de criar [p. 227] estruturas de subordinação à nova realidade. Nesse período foi dado início à instalação de uma rede de escolas (Cunha, 2001). Com o intuito de assegurar o domínio territorial, o regime indonésio tratou de substituir os referenciais até então em vigor – particularmente, a Língua Portuguesa pela Língua Indonésia -, e criar instrumentos de subordinação à presença autoritária do Estado e de práticas subservientes aos interesses do novo regime.

Referências

CUNHA, J. S. C. A Questão de Timor-Leste: origens e evolução. Brasília: Instituto Rio Branco, 2001.

UN (United Nations). Welcome to Timor-Leste: guide complied. Díli: UNMISET, September, 2003.

*Fragmento do capítulo: PAZETO, A. E. Desafios da educação superior em Timor-Leste: da colonização à restauração da independência. in: SANTOS, M. A. (Org.). Experiências de Professores Brasileiros em Timor-Leste: cooperação internacional e educação timorense. Ed. da UDESC. 2011. 384p.

Notas do autor do Blog.


[1] Existe um grande debate sobre o número de línguas que existem em Timor-Leste. Alguns autores consideram que existem 16 línguas reconhecidas e mais 16 ainda não estudadas.

[2] Neste momento o Timor-Leste permaneceu livre por apenas 9 dias, ocorrendo no país uma grande instabilidade, inclusiva com evento de luta armada entre grupos políticos. A desculpa utilizada no texto é apenas parte da situação real, somando a isto, a política expansionista indonésia, o apoio dos EUA, com a concordância da Austrália.

[3] Aqui foi mantido o texto original, no entanto, o Referendo foi realizado em 1999.

[4] Cujo administrador era o brasileiro Sergio Vieira de Melo.

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