[Isabel Marisa Serafim, da Agência Lusa]

Díli, 12 mar (Lusa) – Na capital de Timor-Leste, Díli, quase 10 anos depois da restauração da independência, é possível adquirir os mais recentes ‘gadgets’, mas no interior do país 41 por cento da população vive com menos de um dólar por dia.

É assim o país no ano em que comemora o seu 10.º aniversário da restauração da independência e que realiza eleições presidenciais, no próximo sábado, e legislativas previstas para junho.

Se na capital timorense de Díli, já se pode jantar num restaurante turco ou japonês, adquirir os mais recentes lançamentos da Macintosh ou até fazer compras num centro comercial comparado a outro qualquer do mundo, também é verdade que estes serviços coexistem com mau saneamento e habitações danificadas.

A população urbana de Díli, que passou de 175.730 pessoas em 2004 para 234.331 em 2010 (21,97 por cento dos pouco mais de um milhão de habitantes do país), continua sem acesso a saneamento e os resíduos das fossa sépticas fluem em valas abertas e para as praias.

É nessas valas de água de esgoto que se cultivam muitos dos produtos consumidos e onde as crianças brincam.

Fora da capital, está concentrada 41 por cento da população que vive com menos de um dólar por dia.

Numa viagem ao interior, sente-se a falta de Estado, apesar de a eletricidade já ter chegado a toda a costa norte do país e é visível a pobreza das pessoas.

Mas, para um país que atua em várias frentes e reconstrói um Estado destruído em 1999, onde tudo estava por fazer e tudo é urgente fazer, as autoridades timorenses também têm louros para receber.

Na educação, 425,56 jovens e crianças entre os três e os 18 anos de idade frequentavam em 2010 um estabelecimento de ensino e vários estabelecimentos de ensino foram requalificados e construídos de origem.

No setor da saúde, os indicadores dos últimos 10 anos revelam que 78 por cento das crianças são tratadas em relação a doenças básicas, 86 por cento das mães recebem cuidados pré-natais e a incidência das mulheres mal nutridas desceu 29 por cento.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram alcançados no que se refere às taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos e as taxas de mortalidade infantil.

As autoridades reconhecem, contudo, que a má nutrição entre crianças timorenses continua a ser muito elevada e que a qualidade do ensino ainda não corresponde ao desejado.

Dez anos depois da restauração da independência, que se comemora a 20 de maio, Timor-Leste é um país de contrastes provocado pela interminável viagem rumo ao desenvolvimento.

Houve um aumento drástico do uso do telemóvel e da aquisição de televisores, mas nove em cada dez famílias timorenses continuam a cozinhar com lenha.

Da relatora da ONU para os Direitos Humanos e a Extrema Pobreza, as autoridades receberam nota negativa.

Magdalena Sepúlveda disse na sua mais recente visita ao país que o desenvolvimento não se traduziu em melhorias nos níveis de vida, meios de subsistência e criação de emprego.

Com uma população majoritariamente jovem e desempregada ou com empregos precários, Timor-Leste ainda não pode parar e usufruir da restauração da independência e essa luta continua.

Fonte Agência Lusa.