Pseudaugochlora gramínea  (Halictidae) visitando uma flor de Lobeira (Solanum lycocarpum, Solanaceae).

Figura: Abelha Pseudaugochlora gramínea (Halictidae) visitando uma flor de Lobeira (Solanum lycocarpum, Solanaceae).

[EcoDebate] Polinização é o processo relacionado à transferência de pólen da parte reprodutiva masculina para a parte reprodutiva feminina das flores, sendo um importante evento para que ocorra reprodução sexuada nas angiospermas (plantas que produzem flores). Embora algumas espécies confiem a forças abióticas, incluindo vento e água, para a transferência de pólen, mais que três quartos das espécies de angiospermas (de um total de 235 mil espécies) dependem de cerca de 200 mil espécies de animais polinizadores (insetos, pássaros e morcegos, por exemplo) para auxiliar no seu processo reprodutivo.

Muitas plantas que utilizamos como alimentos dependem da polinização para produzir frutos e sementes. Globalmente, polinizadores são fundamentalmente importantes para a produção de cerca de 30% da dieta humana, muitas fibras (algodão e linho), óleos comestíveis, bebidas alcoólicas e medicamentos.

A diminuição da disponibilidade de polinizadores para as plantas que deles necessitam pode causar limitações na quantidade e/ou qualidade dos frutos e número de sementes, constituindo-se em um dos maiores problemas quando se trata de produção agrícola. Por outro lado, tem sido uma preocupação internacional a detecção de um declínio de populações de polinizadores. Este declínio está ocorrendo, devido a várias ameaças como a destruição ou alteração do ambiente, o uso de pesticidas, a ocorrência de parasitas e doenças, aos grandes cultivos baseados em monoculturas e à introdução de espécies exóticas.

Um elemento essencial das estratégias de conservação do meio ambiente e para uma produção agrícola mais sustentável deve ser a proteção da diversidade biológica e, consequentemente, a manutenção de serviços ecossistêmicos proporcionados por ela, como a polinização, dispersão de sementes e o controle de pragas. Um manejo de ecossistema em um mosaico formado por fazendas, com suas reservas legais e áreas de preservação permanentes protegidas, e áreas protegidas (como os parques nacionais e estaduais) é possível de ser realizado com a implementação de corredores ecológicos e utilização de técnicas mais sustentáveis na produção agropecuária, como produção orgânica, agroecologia, plantio direto e policultura.

A manutenção de vegetação, pelo menos nas bordas das plantações, que fornecem recursos alimentares variados e locais para nidificação e abrigo são a base para a manutenção de uma alta diversidade de visitantes florais e a fornecimento dos serviços de polinização por estes de forma adequada.

Recomendações para produtores rurais sobre a manutenção e restauração de comunidade de polinizadores geralmente envolve a criação de áreas ricas em diversidade de plantas dentro das áreas de plantio. Neste sentido, tonar-se uma alternativa relevante à utilização de sistemas de produção agrícola baseados nos princípios agroecológicos que promovem uma diversidade alta (genética, taxonômica, estrutural e de recursos) dentro do sistema de culturas, o que permite a existência de uma biota variada associada aos cultivos. Este aumento de biodiversidade possibilita uma polinização e um controle de pragas efetivos, torna a ciclagem de nutrientes mais adequada, minimiza riscos e estabiliza a produtividade.

Ao produzir produtos agropecuários em um sistema de produção agroecológico, o produtor obtém uma produção agrícola mais sustentável e auxilia na preservação da biodiversidade, que, por sua vez, tem um papel importante na dinâmica ecossistêmica.

Valdir Lamim-Guedes, Biólogo e Mestre em Ecologia pela Universidade Federal de Ouro Preto. É administrador do Blog Na Raiz (https://naraiz.wordpress.com/).

EcoDebate, 01/09/2011

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