[IPAM] No mês passado, a Câmara dos Deputados aprovou mudanças profundas ao Código Florestal brasileiro, um conjunto de leis destinadas a regulamentar o uso da terra no país. Tais mudanças colocam em risco os ecossistemas [nacionais] e possibilitam o desmatamento de aproximadamente 20 milhões de hectares a mais do que o previsto no Código Florestal original, de acordo com estimativas de Gerd Sparovek, da Universidade de São Paulo (ver go.nature.com/n8lwfu).

O Senado brasileiro deve aproveitar esta última oportunidade para vetar as mudanças propostas, as quais aumentariam substancialmente as emissões de carbono. Assumindo que metade da floresta afetada recentemente (10 milhões de hectares) será entregue à agricultura e que a biomassa média de carbono na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado é de 50 megagrams por hectare (LF Alves et al. Florestal Ecol. Gerenciar. 260 , 679-691; 2010), as emissões equivaleriam a cerca de 500 teragramas de carbono – para além dos 100 – 300 Tg resultantes das atividades de desmatamento na Amazônia anualmente (JPHB Ometto et al Oecologia 143, 483-500; 2005).

Os esforços do governo para reduzir o desmatamento na Amazônia seriam em vão, assim como os investimentos feitos na indústria do etanol para um ambiente mais limpo. O compromisso do Brasil com o meio ambiente [também] perderia credibilidade no plano internacional, fazendo com que os países desenvolvidos aumentem os impostos de importação para os produtos agrícolas brasileiros, tornando-os menos competitivos. Consequências dessa gravidade contrabalanceariam quaisquer ganhos a curto prazo dos setores agrícolas brasileiros que possam resultar das alterações ao Código Florestal.

Luiz Antonio Martinelli

Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Piracicaba, São Paulo, Brasil.

martinelli@cena.usp.br

*Tradução de Janaína de Aquino

MARTINELLI, L. A. Block changes to Brazil’s Forest Code. Nature, 474, 30 Junho 2011.

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