Na Índia, o minúsculo Chalazodes Bubble-nest Frog (Raorchestes chalazodes) redescoberto, durante a expedição, tinha sido visto antes há simplesmente 136 anos atrás!

Organizada pelas ONGs Conservação Internacional e IUCN no ano passado, uma expedição de cientistas percorreu 21 países, durante cinco meses, em busca de 100 espécies de anfíbios e redescobriu 15 espécies entre sapos, salamandras, perereca e do gênero Caecilia, ao qual pertence a cobra-cega, sendo as últimas no Equador e Índia. O reencontro dos anfíbios, considerados perdidos, gerou esperança, mas, ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de aplicar esforços imediatos contra o declínio ainda maior dessas populações, que servem de termômetro sobre o desequilíbrio ambiental

Sucena Shkrada Resk – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 17/02/2011

O reencontro recente de 15 espécies de anfíbios – entre sapos, salamandras, perereca e do gênero Caecilia, ao qual pertence a cobra-cega -, sendo as últimas descobertas, no Equador e Índia, animou a comunidade científica. Os anfíbios eram considerados desaparecidos e foram achados durante a expedição Busca pelos Sapos Perdidos*, realizada por 126 cientistas, durante cinco meses, em 21 países (veja a lista abaixo), no ano passado. Ao mesmo tempo, a situação serve de alerta para que os países se esforcem para evitar o extermínio dos anfíbios, que pertencem ao grupo de vertebrados mais ameaçados do planeta, que, hoje, chega à faixa de 30%. Afinal, o grupo esperava encontrar, pelo menos, 100 espécies, mas só identificou quatro dessa lista. As restantes, por serem desconhecidas, foram consideradas ‘uma grata surpresa’ extra.

A iniciativa da expedição foi da CI – Conservação Internacional e do Grupo de Especialistas em Anfíbios da IUCN – União Mundial para a Conservação da Natureza, com o apoio da Conservação Global da Vida Selvagem. O objetivo do grupo era documentar o status da sobrevivência diante de doenças e de pressões climáticas. Segundo os cientistas, uma das doenças mais preocupantes, e que chegou a devastar populações inteiras, é a quitridiomicose, causada por um fungo.

Para Robin Moore, especialista em anfíbios, o resultado da expedição está sendo denominado de a Sexta Grande Extinção, porque as espécies desaparecem a uma taxa de cem a mil vezes maior que a histórica. “Precisamos transformar essas descobertas e redescobertas em uma oportunidade para enfrentar essa crise, nos concentrando na proteção de um dos grupos de animais mais vulneráveis e seus habitats críticos”, disse. Além da Índia e Equador, também houve descobertas no México, na Costa do Marfim, na RDC – República Democrática do Congo e no Haiti. E na Colômbia, chegaram a ser encontradas espécies até então desconhecidas.

Uma das espécies encontradas foi a do sapo do rio pescado, que é específica do Equador e tinha sido vista, pela última vez, em 1995. Na Índia, recentemente, foram descobertas cinco espécies, sendo que o sapo Raorchestes Chalazodes havia sido registrada, pela última vez, em 1874.

A justificativa dada pelos cientistas para a importância dos anfíbios é que eles prestam serviços, como o controle de insetos que espalham doenças e danificam plantações, além da manutenção dos sistemas de água doce saudáveis. Mais um aspecto considerado relevante é que produtos químicos encontrados na pele dos anfíbios também têm sido importantes para criação de novas drogas com o potencial de salvar vidas. Entre eles, um analgésico 200 vezes mais potente do que a morfina.

A partir de agora, ainda continuará uma campanha na Índia e outra na Colômbia. Também está prevista mais uma ação, que deverá durar três anos, na Papua Nova Guiné, nas Ilhas Salomão, no Haiti e em Madagascar, com coordenação de Moore.

Os países visitados durante a expedição Busca pelos Sapos Perdidos foram África do Sul, Austrália, Brasil, Camarões, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Haiti, Índia e Indonésia, além de Costa do Marfim,Libéria, Malásia, México, RDC, Ruanda, Togo, Venezuela e Zimbábue.

Entre as espécies redescobertas, de acordo com seus habitats, estão:

No México: salamandra de caverna Chiropterotriton mosaueri (sem nome popular em português), vista pela última vez em 1941.

Na Costa do Marfim: rã marrom do Monte Nimba Hyperolius nimbae (sem nome popular em português), vista pela última vez em 1967.

Na RDC – República Democrática do Congo: rã marrom de Omaniundu Hyperolius sankuruensis, – vista pela última vez em 1979.

No Equador: sapo do rio pescado (Atelopus balios), visto pela última vez em abril de 1995 e considerado como Criticamente Ameaçado de Extinção segundo a Lista Vermelha de Espécies da UICN.

Na Índia:
– Sapo Raorchestes chalazodes, visto pela última vez em 1874;
– Sapo Ramanella anamalaiensis redescoberto após 73 anos;
– Sapo Amolops chakrataensis, conhecido apenas pela descrição original de um exemplar em 1985;
– Sapo Micrixalus thampii, visto pela última vez há 30 anos;
– Sapo Micrixalus thampii, conhecido apenas pela descrição original baseada em uma coleta de 1937.

No Haiti:
– Sapo terrestre ventríloquo (Eleutherodactylus dolomedes);
– Sapo de Mozart (Eleutherodactylus amadeus);
– Sapo terrestre La Hotte (Eleutherodactylus glandulifer);
– Sapo macaya do peito pintado (Eleutherodactylus thorectes);
– Sapo terrestre coroado Eleutherodactylus. corona, vistos pela última vez em 1991;
– Sapo macaya escavador (Eleutherodactylus parapelates), em 1996.

*Busca pelos Sapos Perdidos – CI

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