Agência FAPESP – Um dos maiores símbolos das consequências do aquecimento global, o urso polar pode não estar com seus dias contados. Incluído nas listas das espécies ameaçadas de extinção, por conta do declínio constante de seu hábitat gelado devido às mudanças climáticas, o animal poderá ser salvo, caso haja queda na emissão de gases que provocam o efeito estufa.

A conclusão é de um estudo feito nos Estados Unidos e que está na capa da edição desta quinta-feira (16/12) da revista Nature. Segundo a análise, se o homem reduzir as emissões de gases estufa significativamente nas próximas duas décadas, gelo suficiente permanecerá intacto no Ártico entre o fim do verão e início do outuno para garantir a permanência do urso polar.

Alguns dos cientistas envolvidos no atual estudo participaram da previsão feita há três anos a respeito da extinção da espécie. “O que projetamos em 2007 teve como base o cenário de emissões de gases de então e não consideramos a possibilidade de mitigação nas emissões”, disse Steven Amstrup, pesquisador emérito do U.S. Geological Survey e um dos autores do artigo.

Na época, a análise havia projetado que apenas um terço dos cerca de 22 mil ursos polares sobreviveriam na metade deste século se o dramático declínio no gelo ártico continuasse e que eventualmente eles poderiam desaparecer por completo. No ano seguinte, a espécie foi incluída na lista das ameaçadas de extinção.

O novo estudo tem como base um modelo proposto por Cecilia Bitz, professora da Universidade de Washington, segundo o qual não há um ponto limite que resultaria em uma perda de gelo marinho no verão, promovido pelo aquecimento do planeta, que possa ser considerado impossível de ser revertido.

“Nossa pesquisa resulta em uma mensagem muito promissora e de esperança, mas também de incentivo para que as emissões de gases que promovem o efeito estufa sejam reduzidas”, disse a cientista.

Segundo o estudo, se houver uma mitigação significativa das emissões no futuro próximo, as perdas aceleradas de gelo seriam seguidas por uma retenção substancial do gelo remanescente durante o século. Nesse cenário, até mesmo a recuperação parcial do gelo desaparecido poderia ocorrer.

O urso polar depende do gelo marinho para ter acesso a focas, sua principal fonte de alimentação. Nas vezes em que ele não consegue alcançar o gelo marinho, cada vez mais frequentes, chega a perder quase 1 quilo de peso por dia. Por conta disso, o urso polar é visto como uma espécie de sentinela do ecossistema ártico.

O artigo Greenhouse gas mitigation can reduce sea-ice loss and increase polar bear persistence (doi:10.1038/nature09653), de Steven Amstrup e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Anúncios