Em abril desde ano, mais de 35.000 pessoas se reuniram em Cochabamba, Bolívia. A Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra abrigou novas visões e propostas para salvar o planeta e principalmente colocou sobre a mesa as causas da crise climática. Na declaração final do encontro[i] reafirma-se que nos enfrentamos “à crise terminal do modelo civilizatório patriarcal baseado na submissão e destruição de seres humanos e natureza que se acelerou com a revolução industrial”.

A responsabilidade por esse caminho cabe aos países chamados “desenvolvidos”, os que devem modificar “seus modelos de vida e desenvolvimento, anulando a dívida externa de forma imediata, detendo a produção de material bélico, trocando o uso de energia fóssil por energia renovável e mudando os sistemas financeiros econômicos e sociais internacionais, que perpetuam os modelos atuais”.

Este sistema de mercados globalizados se impôs a qualquer preço. E poucas vezes se fala da contribuição das guerras com a mudança climática: desde desmatamentos massivos, como o provocado no Vietnã pela longa guerra de ocupação das tropas estadunidenses, até o consumo de combustível que requer a mobilização de toda a aparelhagem militar.

Conforme estimações de 2006 da própria CIA, apenas 35 países (de um total de 210 no mundo), consomem mais petróleo por dia que o Pentágono. Conforme Steve Kretzmann, diretor da Oil Change International, a guerra de invasão a Iraque emite mais de 60% de todos os países[ii]. Mas para os exércitos não há restrições em matéria de emissões e o acordo de Copenhague não faz referência ao assunto.


[i] Site oficial da Conferência: http://cmpcc.org

[ii] “Winner of Project Consored top 25 articles for 2009 – 2010 news stories: Pentagon’s role in global catastrophe”, Sara Flounders, International Action Center, http://www.iacenter.org/o/world/climatesummit_pentagon121809/

 

Fonte: Boletim 160 (Novembre 2010) do WRM

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