Incrivelmente a crise climática, que põe em xeque à humanidade, transformou-se para os insaciáveis interesses empresariais em uma oportunidade de fazer negócios. O mercado mundial do carbono movimenta muitos capitais e resulta um possível cenário de crimes ambientais.

Um artigo de Mark Schapiro[i] informa sobre uma conferência organizada pela Interpol, cuja jurisdição se ampliaria para uma área totalmente nova: a fraude nos mercados mundiais do carbono. Esses complexos mercados, que operam em países sujeitos à restrição de emissões do Protocolo de Kyoto e que manejam numerosos instrumentos novos, cresceram exponencialmente nos últimos cinco anos. Suas transações atingiram o valor de 300.000 milhões de dólares, um montante muito alto que necessariamente atrai os criminosos. Sujeitos a uma supervisão ambígua, esses mercados oferecem novas oportunidades para a fraude. O carbono passa a ser uma commodity (mercadoria) que se comercializa.

O interesse que existe em que a conservação das florestas tropicais passe a ser uma “compensação” das emissões de carbono de empresas ou governos em outro lado, abre a porta para possíveis fraudes em países onde a propriedade da terra está em disputa.

Não são lucubrações. O departamento anticorrupção da polícia de Londres está investigando acusações de que a empresa Carbon Harvesting Company, que opera no setor de compensação de emissões, teria exigido indevidamente acesso a florestas da Libéria para vender direitos de carbono a empresas européias, entre outras. Em outros casos, os agentes especuladores geraram lucros ilícitos milionárias por sonegação fiscal, como foi o caso que evidenciou que mais de 80% das companhias de comércio de carbono da Dinamarca era apenas uma fachada para a fraude tributária. O próprio ministro ambiental do Reino Unido, Lord Chris Smith, reconheceu que na medida que aumenta o preço do carbono, mais lucrativo vira o mercado e mais criminosos atrai.


[i] “Murder on the Carbon Express: Interpol Takes On Emissions Fraud”, Marck Schapiro para Mother Jones, 8 de outubro de 2010, http://motherjones.com/environment/2010/10/interpol-carbon-trading-fraud

Fonte: Boletim 160 (Novembre 2010) do WRM

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