Ministro das Relações Exteriores diz que “nível das aspirações baixou muito” em reuniões globais sobre o tema

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, descartou na terça-feira (27/10) a obtenção de um acordo global sobre mudanças climáticas no ano que vem e disse esperar que “o momento decisivo” da negociação aconteça em 2012 no Rio de Janeiro.Mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou sua intenção de ir à conferência do clima de Cancún, em novembro.

Fechar o novo acordo em 2012 significa uma perda de três anos desde o fracasso da conferência de Copenhague, em 2009. Significa também que haverá um buraco no qual o mundo não terá acordo algum em vigor, já que o Protocolo de Kyoto, o único instrumento existente hoje, expira em 2012 -e leva tempo para todos os países ratificarem o próximo pacto.

Durante reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas na terça-feira (26/10), em Brasília, Amorim tratou de esfriar os ânimos em relação às perspectivas da conferência de Cancún, a COP-16.

A principal razão para isso foi a recente morte da lei do clima no Senado dos EUA, o que colocou o maior emissor histórico de volta à estaca zero na luta contra o CO2.

“O nível das aspirações baixou muito. Não haverá um grande acordo, mas pode haver avanços em partes específicas”, afirmou, citando por exemplo o mecanismo de redução de emissões por desmatamento, o Redd+.

Isso daria impulso às negociações, “primeiro na África do Sul, no ano que vem, e quem sabe depois algo importante na Rio +20”, disse, em referência à cúpula em 2012 que marcará os 20 anos da histórica Eco-92.

Lula aproveitou para incentivar o comparecimento ao México: “Se a conferência não estiver boa, Cancún é sempre muito bom”.

O Brasil está em posição privilegiada nas negociações. Além de ter assumido a meta de corte de 36,8% a 38,9% de suas emissões em relação ao projetado para 2020, o país regulamentou na terça-feira um fundo para financiar ações de redução de CO2 e de adaptação ao clima.

O governo também apresentou a versão final do segundo inventário brasileiro de emissões de gases-estufa, que abrange o período de 1990 a 2005.

Como antecipou em 2009 o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, as emissões subiram 60%: de 1,484 bilhão de toneladas de CO2 equivalente em 1990 para 2,192 bilhões em 2005.

O governo esperou um ano pelo dado, para só então ir adiante com a regulamentação da lei nacional, que deve acontecer no mês que vem.

Porém, não apenas os dados finais são praticamente idênticos aos de um ano atrás como a projeção das emissões em 2020 apresentada na terça-feira por Rezende é a mesma de um cálculo do Ministério do Meio Ambiente que baseou a meta brasileira: 2,7 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.

Segundo Tasso Azevedo, consultor do Meio Ambiente, isso prova que o Brasil poderia fazer estimativas anuais de emissões se quisesse.

(Cláudio Ângelo)

(Folha de SP, 27/10)

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