Trecho da entrevista do Profº. Mário Marcos do Espirito Santo (UNIMONTES) dada a AMDA sobre a lei 19096/10, que foi Promulgada no dia 04 de agosto que permite desmatamento de até 70% da Mata Seca no norte de Minas, foi aprovada pela ALMG sem participação efetiva da sociedade e sem levar em conta conseqüências desastrosas para a biodiversidade de Minas e do Brasil.

Deputados e entidades ruralistas do Norte de Minas alegam que a aprovação da Lei, ou seja, a derrubada de mais Mata Seca, gerará 200.000 empregos. Você tem informações sobre isso?

Essa informação tem sido divulgada em todo o estado, mas até agora não foi apresentado publicamente um estudo ou relatório que dê sustentação a esses números. Uma análise dos dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho indica que esses números estão superestimados. O número de empregos formais em áreas rurais no norte de Minas é de 21.000. A maior parte da população rural, cerca de 257.000 pessoas, está ocupada na agricultura familiar e em empregos informais. Esses trabalhadores estão distribuídos por toda a área do norte do estado, cerca de 126.000 km2, incluindo o Cerrado, Mata Seca e demais formações vegetais ali existentes. Assim, parece muito pouco provável que desmatar os 16.000 km2 que restam de Mata Seca nessa região vá dobrar o número de postos de trabalho. Vale ressaltar que grande parte das áreas a serem desmatadas serão destinadas à pecuária, uma das atividades que menos gera empregos, cerca de três a cada 100 hectares. Existe um entendimento por certos setores econômicos de que desmatamento gera riqueza de forma direta e imediata, o que não é verdade. É bastante provável que a liberação de desmate no norte de Minas Gerais leve a grande degradação ambiental e até desertificação, agravando o quadro de pobreza que é observado atualmente.

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