Este post será dividido em duas partes (a 2ª. ainda por vir). Ele é dedicado a reflexão em torno das várias visões que se podem ter da mesma cidade. No caso, vou me concentrar em Ouro Preto – Minas Gerais, cidade onde resido atualmente e que abriga várias cidades dentro de uma só, tanto pela variação do clima na cidade (será abordado na parte 2), assim como pequenos acontecimentos, digamos,  poéticos, que podem passar despercebidos por quem é “cego”…

Passeando pelo centro histórico num domingo destes, num horário que a cidade ainda dormia (no caso de Ouro Preto, isto não significa tão tarde), observei os pombos…

O primeiro pensamento foi sobre os problemas relacionados a presença destes animais, como doenças e a sujeira que causam, fornecendo um aspecto negativo a praças e monumentos. É claro que isto deve ser levado em conta, mas vamos ver as coisas com um tom mais light, isso é, mais leve, de forma poética…

Lembrei de uns versos da música Blues do elevador do Zeca Baleiro:

“Vejo os pombos no asfalto
Eles sabem voar alto
Mais insistem em catar as migalhas do chão”

Fiquei muito tempo pensando nisto olhando os pombos e aprovetei para tirar umas fotos, veja algumas abaixo!

Apesar de poder voar alto, eles insistem em permanecer no chão, afinal o recurso alimentare dele está no chão. Pensando na biologia da espécie, isto faz muito sentido. Mas  além da biologia da espécie?

Poder voar alto…Alcançar grandes alturas? sim, mas pode ser também alcançar objetivos audaciosos… Desconfio que um pombo não tenha tais ambições, mas isto serve para nós. Podemos ter grandes objetivos, mas permanecemos catando as migalhas do chão. Permanecer no chão pode significar duas coisas, estar ali por vontade própria ou “dando um tempo” até poder alçar voos mais altos.

Viagens a parte, é interessante observá-los, reparar como a convivência deles se assemelha a nossa: buscando um parceiro reprodutivo, cuidando de crias, competindo por recursos…

Dentro da nossa cidade, existe a cidade dos pombos, mas além desta, existe também uma cidade que ultrapassa os limites do consumismo atual. Digo isto, porque se um pessoa ficar preocupada apenas com as vitrines, ela perderá o oportunidade de ver muitas coisas como os pombos, outros animais que vivem ali, plantas (muitas vezes com muitas flores), monumentos (muitos mesmo, no caso de Ouro Preto).

Por outro lado, os pombos são postos de lado assim como mendigos, cães de rua, pedintes…É a ignorância e/ou arrogância das pessoas que cria estas situações, elas estando cientes ou não.

Abaixo a letra completa da música Blues do elevador do Zeca Baleiro:

Ora quem é que não sabe
O que é se sentir sozinho
Mais sozinho que um elevador vazio
Achando a vida tão chata
Achando a vida mais chata
Do que um cantor de soul

Sou eu quem te refresca a memória
Quando te esqueces de regar as plantas
E de dependurar as roupas brancas no varal
Só faz milagres quem crê que faz milagres
Como transformar lágrima em canção

Vejo os pombos no asfalto
Eles sabem voar alto
Mais insistem em catar as migalhas do chão
Sei rir mostrando os dentes
E a língua afiada
Mais cortante que um velho blues

Mas hoje eu só quero chorar
Como um poeta do passado
E fumar o meu cigarro
Na falta de absinto
Eu sinto tanto eu sinto muito eu nada sinto
Como dizia Madalena
Replicando os fariseus
Quem dá aos pobres empresta
A deus

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