Dia Mundial da Alimentação Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.” [Artigo XXV / Declaração Universal dos Direitos Humanos]

O objetivo do Dia Mundial da Alimentação é conscientizar o conjunto da humanidade sobre a difícil situação que enfrentam as pessoas que passam fome e estão desnutridas, e promover em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome. Todos os anos, mais de 180 países celebram este evento. Esta comemoração, que teve início em 1981, assinala ainda a fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 1945. Leia mais!

Os Dados utilizados foram retirados das reportagens que estão listadas no fim da página.

logo O número de pessoas famintas no mundo ultrapassou o 1 bilhão, graças à crise econômica e à crise do preço dos alimentos. Esse é o maior número de famintos desde 1970, o primeiro ano para o qual a FAO tem registros históricos. Em segundo lugar, mesmo antes da crise, havia mais de 850 milhões de pessoas subnutridas, o que sugere um problema mais estrutural com o sistema alimentar mundial. A fome tem aumentado em todos os locais do mundo. Ambas as crises não pouparam nenhuma região.

Combater a fome é objetivo 1 dos 8 objetivos do desenvolvimento do Milênio (ODM).

ODM

Conheça os ODM

A FAO já tinha reconhecido há 20 anos que “o problema não é tanto a falta de alimentos, mas a falta de vontade política”. Como a pobreza é o principal causador da fome, esta diminui em países que empreendem políticas capazes de gerar empregos e renda. Em contrapartida, onde há ditaduras e despotismo, há fome e morte por inanição.

Problema não é a quantidade

“Se temos 1 bilhão de pessoas que passam fome por não ter dinheiro para comprar comida e outro bilhão de clinicamente obesos, alguma coisa está obviamente errada”, alerta Janice Jiggings, do Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento em Londres. “O sistema agrário saiu do controle e, no futuro, não estaremos mais em condições de nos alimentar de forma pacífica e civilizada. Precisamos mudar todo o sistema. O consumidor já nota isso e, aos poucos, os políticos também.”

Enquanto o consumo diário médio de calorias no mundo desenvolvido é de 3.315 calorias por habitante, no restante do globo o consume médio é de 2.180 calorias diárias por habitante. Metade dos habitantes da Terra ingere uma quantidade de alimentos inferior às suas necessidades básicas. Cerca de um terço da população do mundo ingere 65% dos alimentos produzidos.

Uma pessoa para ter uma dieta com 3.315 calorias diárias ela tem que ser um atleta. Como a maioria não é, surge os problemas de saúde. Nos países europeus e EUA, a epidemia de obesidade e doenças co-relacionadas, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, por exemplo, já é uma realidade a algumas décadas, e nos últimos anos passou a ocorrer em outros países, como o Brasil. Isto significa que tem muita gente perdendo qualidade de vida e morrendo porque come muito!!!

Esta epidemia de obesidade é só mais um resultado do modo de vida excludente que vivemos. Os meios de comunicação exercem uma pressão tão grande sobre as pessoas, induzindo o consumo de mercadorias em geral, que o consumo de alimentos extremamente calóricos, doces e produtos gordurosos, são uma via de escape. Que ironia, enquanto quase 1/7 da população mundial quer comer para poder depois resolver seus problemas, outra parte significativa, come para esquecer os problemas…

Veja o Cardápio para uma dieta de 3000 calorias (ai você come mais alguma besterinha para chegar nas 3.315 calorias MÉDIAS!!!, quer dizer que no domingão…)

O desperdício de alimentos é um grave problema que piora ainda mais a situação da fome no mundo…

Produção e produtos

Utilizar adubo artificial em solo ressecado a fim de duplicar a produção agrária não é a solução. Atualmente, a agricultura já é uma das atividades que mais prejudicam o meio ambiente, não apenas sob o aspecto do desmatamento em favor de plantações e monoculturas, mas também porque a agricultura industrial contribui consideravelmente para a emissão de gases-estufa na atmosfera, emitindo dióxido de carbono (desmatamento) e oxido nitroso (N2O – emitido pelo uso de fertilizantes).

A ideia de que somos cada vez mais numerosos e por isso precisamos produzir mais é equivocada. Precisamos é produzir de forma justa, porque Menos da metade dos grãos hoje em dia é destinada à alimentação, enquanto a maior parte serve para fabricar rações animais, biocombustíveis e outros produtos industriais.

O desmatamento da Amazônia é uma consequência desta produção injusta, já que a produção de carne e soja é que motiva a destruição da floresta. Outro aspecto desta injustiça, o censo agrário divulgado recentemente, no qual os dados da agricultura familiar, que entre outras coisas, é responsável por 75% de produção de feijão, foi culpada por piorar os dados da produção nacional. Mas se ela não é geradora de renda como a exportação de carne e soja, ela é muito mais importante para a nossa alimentação. Afinal de contas, eu nunca vi um latifúndio de produtor de alface…

Produtor de Alface

A charge acima é uma brincadeira… o seu Zé poderia ter 12 bilhões de pés de alface em seus 75.000 hectares… escolhi aleatóriamente este tamanho de propriedade, por exemplo, a fazenda da Aracruz celulose em Guaíba (RS) tem este tamanho e produz eucalipto.

Situação Planetária e a nossa Pegada Ecológica

Um outro problema que entra nesta discussão, além da má distribuição de alimentos, é que o planeta não permitir que todas as pessoas tenham uma alimentação como dos países desenvolvidos, simplesmente porque não existe área para isto (veja a seguir). Uma segunda questão relacionada a isto, o crescimento populacional humano está atingindo níveis insustentáveis, na verdade já atingiu, e pensar em sustentabilidade atualmente exige crescimento zero populacional, além, evidentemente, termos um modo de vida mais sustentável.

pegadaecologicaEsta situação é abordada pelo conceito de “Pegada Ecológica”. A Pe gada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras, a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para se sustentar.

Teoricamente, 1.8 hectare é a média de área disponível por pessoa (Considerando uma população mundial de 6 bilhões de pessoas 2004), no planeta, de modo a garantir a sustentabilidade da vida na terra. Isto equivale a uma área pouco menor do que a de dois campos de futebol. Entretanto, desde de 1999, a média de consumo por pessoa no mundo é de 2.2 hectares, cerca de 25% a mais do que o planeta pode suportar.

Por fim, falar de sustentabilidade sem buscar melhorias da qualidade de vida é discutir a manutenção do status quo frente a crise ambiental. A real sustentabilidade busca além de manter a vida na Terra como conhecemos, e sim buscar maior igualdade entre as pessoas e nações, com qualidade ambiental.

Reportagens sobre o tema.

Fome é causada pela má distribuição e não pela falta de alimentos

Crise alimentar: ‘O problema é de acesso à comida’. Entrevista com David Dawe

Noticia do site da Fundação Abrinq, com muitas estatísticas chocantes.

Site da WWF-Brasil sobre pegada ecológica.

PPT Sobre pegada ecológica.

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